ISF inicia implantação de segurança em Trípoli

Foto: Mohamed Azakir (Reuters)

O plano de segurança elaborado e implantado no subúrbio de Beirute, pelo Ministro do Interior, Marwan Charbel, começou a ser implantado na última sexta-feira (4), também em Trípoli, com o objetivo de garantir a segurança da cidade contra possíveis carros-bomba, e outras situações que envolvam distúrbios.

Postos de controle do exército, das Forças de Segurança Interna, e da Segurança Geral, foram estabelecidos em toda a cidade, nas entradas de Abu Samra, Qibbeh e Bab Al-Tabbaneh, e também em Haykalieh (via de acesso para Koura), e Majdlaya (via de acesso à Zghorta), além de uma sala de operação para a ISF, manter o controle com os agentes, ter sido instalada na Rua Maarad.

De acordo com o Ministro do Interior, Marwan Charbel, o plano possui duas missões, onde a primeira é proteger Trípoli do meio externo, impedindo o acesso de possíveis agressores, e assim, capturá-los; e a segunda missão, embora o ministro queira anunciar, oficialmente, na presença do Primeiro-Ministro Najib Mikati, muito possivelmente, seja a invasão, e o desarmamento à força, das milícias de alguns bairros da cidade.

 No entanto, os líderes das milícias locais, já demonstraram sua desaprovação no plano de segurança do governo libanês, e é provável que eles confrontem o Estado, para não entregar suas armas, embora uma minoria tenha afirmado que pretende colaborar, desde que o governo assuma integralmente a segurança dos moradores da cidade. 

Alguns moradores, já nesta etapa inicial da implantação do plano de segurança, expressaram seu ceticismo em relação à efetividade que isso poderá resultar, visto que segundo eles mesmos relataram, tentativas anteriores já foram realizadas sem sucesso, e que o plano atual, não passa de mera publicidade na mídia. Outros, no entanto, acreditam que o plano de segurança poderia ser mais eficiente, se fosse acompanhado de um projeto de desenvolvimento para a cidade, para que a estabilidade da mesma também fosse garantida.  

De acordo com a população de Trípoli, os lideres das milícias armadas, escondem-se nos souks e nos becos da cidade, e não em suas entradas, onde a ISF está inspecionando documentação da população. Eles alegam que o plano é bom, tem boas intenções, e a população almeja restabelecer sua paz e segurança, porém, reclamam que a cada batalha ocorrida com as milícias, a ISF sempre se retira da cidade.

Com isso, a população acaba se fragilizando, e ficando indefesa nas mãos dos guerrilheiros, vendo-se obrigada a se submeter às suas demandas e a viver, constantemente, com medo. Eles esperam que o novo plano de segurança mude isso, e que inclua medidas mais severas, que acabem definitivamente com os conflitos e batalhas em Trípoli. 

As milícias da cidade, no entanto, trataram de expressar sua rejeição ao plano de segurança do Ministério do Interior, e a cidade foi palco de uma nova rodada de incidentes e tumultos na última sexta-feira (4), onde uma granada foi detonada numa rua comercial, tiros foram disparados ao ar nas ruas, uma loja de bebidas em Mina foi atacada, e outra granada explodiu sob a delegacia de Mina. As gangues armadas de Trípoli pretendem manter a cidade instável, enquanto a Síria estiver em guerra. 

Os partidos políticos da cidade apoiaram o plano de segurança, no entanto, é sabido que os comandantes das milícias armadas são apoiados financeiramente, e possuem influência política e mais poder sobre certas regiões da cidade, como Qibbeh, Tabbaneh, Beddawi e Mankoubin, do que os políticos locais, que na maioria dos casos, ainda os subornam para estabelecer interesses privados. 

Esse esquema de corrupção não é novidade em Trípoli, e os lideres dessas milícias costumam, inclusive, se manter longe da imprensa, e de dar entrevistas, para não sofrerem perseguições pelas agências de segurança do Estado. Um líder de uma dessas milícias, afirmou sob a condição de anonimato, a um jornal local, que eles recebem propina do partido político que pagar mais, e assim, oferecem suporte e apoio nas atividades desses políticos locais na cidade. 

O governo libanês tem conhecimento dessa prática, e é exatamente isto que o Primeiro-Ministro, Najib Mikati, pretende eliminar em Trípoli. A força, talvez seja a única opção do exército e dos representantes políticos, para fazer cumprir a lei, acabar com as fraudes, subornos, e reprimir os grupos armados de dominarem a cidade, e desestabilizarem a paz em Trípoli. 

No entanto, tal vigor poderá desencadear uma escalada de violência contra as autoridades, o que vem preocupando a classe política de diversos partidos, que levantaram essa questão aos líderes do Estado. Eles temem que um possível confronto entre as milícias e os agentes do governo, possa acontecer, a partir da segunda etapa do plano de segurança, previsto para a próxima semana, em Trípoli.


Claudinha Rahme
Gazeta de Beirute
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