Nem o Vaticano escapou da espionagem americana

Foto: O Estado RJ

Segundo a revista italiana Panorama, baseada nos documentos de Edward Snowden, 46 milhões de comunicações telefônicas foram interceptadas na Itália, e entre os telefonemas interceptados estão os do então ainda Papa Bento XVI  e também do cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco.

A revista Panorama  disse que a embaixada dos EUA em Roma está envolvida nas escutas. Há também intercepções de chamadas feitas no dia 12 de Março, primeiro dia do conclave em que foi eleito o Papa Francisco, e até mesmo telefonemas que passaram pela central da Domus Internationalis Paulo VI  em Roma, onde residia o cardeal Bergoglio.

O papa despertou as atenções dos serviços secretos norte-americanos em 2005. Segundo as comunicações diplomáticas tornadas públicas pela WikiLeaks, destacou a Panorama. A revista diz ainda que a embaixada dos Estados Unidos em Roma, na Via Sallustiana, 49, tem uma célula especial que recolhe informações, formada por técnicos da NSA e agentes da CIA.

A existência deste núcleo especial é revelado por um documento classificado top secret, datado de Agosto 2010, do lote obtido por Edward Snowden, que revela a existência de 79 outras células desde tipo, das quais 19 na Europa,e outros em Havana e Cuba.

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, minimizou a importância desta informação.

"Não temos nenhuma informação a esse respeito e, de qualquer maneira, isso não nos preocupa", declarou.

Entre as conversas escutadas estavam as que se produziam na Domus Internationalis Paolo VI de Roma, a residência que o então arcebispo de Buenos Aires, Bergoglio, ficou hospedado antes do começo do conclave que elegeu papa em 13 de março de 2013.

A publicação lembra que o nome do agora Papa Francisco já tinha surgido nos documentos filtrados pelo portal WikiLeaks, de Julian Assange.

O WikiLeaks revelava despachos dos serviços secretos americanos nos quais se falava de Bergoglio como um dos papáveis no conclave de 2005, assim como outros documentos datados em 2007 que relatavam sua "má relação" na Argentina com o presidente Nestor Kirchner.

Além disso, entre os espionados estaria o presidente do Instituto para as Obras de Religião (IOR), conhecido como o Banco do Vaticano, o alemão Ernst von Freyberg, que foi nomeado em fevereiro de 2013 por Bento XVI.

A revista "Panorama" explica que as chamadas captadas no Vaticano foram arquivadas sob quatro classificações: "Leadership intentions" (Intenções de liderança), "Threats to financial system" (Ameaças ao sistema financeiro), "Foreign Policy Objectives" (Objetivos de política externa) e "Human Rights" (Direitos Humanos).

A Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA) negou nesta quarta-feira (30) que o Vaticano seja um dos alvos de sua coleta de inteligência, desmentindo relatos da imprensa italiana.


Therese Mourad
Gazeta de Beirute

Fonte do texto: Reuters and Ray Uno
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