Elias Farhat, o poeta líbano-brasileiro do arabismo


A literatura árabe no Brasil teve seu apogeu no final do século 19 e inicio do século 20, momento da grande imigração árabe para o Brasil. Entre vários emigrantes estavam também os intelectuais, escritores, poetas, fugindo do Oriente por causa de perseguições,  problemas sociais e financeiros. Os intelectuais preocupados com a preservação da língua árabe, que estava sendo coberta pela língua turca, do império otomano, iniciaram a formação de grupos  de pessoas que escreviam livros e fundavam  jornais e  revistas em idioma árabe e assim surge, em 1933, a “Liga Nova Andaluzia”,  com o objetivo de  conservar a lingua e a literatura  árabe no Brasil. A Liga  criou uma revista com o mesmo nome “Al-Usbuat” (Liga Andaluzia de Letras Árabes – 1933 a 1953), para publicar todo tipo de literatura árabe e que teve uma grande importância, visto os artigos e poesias publicadas, un rico acervo para a literatura arabe publicada no Brasil.  Entre os escritos, surgem as poesias  românticas, mas também com cunho social. Várias obras-primas floresceram no Brasil e contribuíram com a Renascença (“Nahda”) árabe  no Oriente. Prestigiosos nomes podem ser citados, entre outros, cito aqui Elias Habib Farhat, mais conhecido como Elias Farhat.

Elias Farhat nasceu em Kfarchima, Monte Libano, em 1893, e faleceu no Brasil, em 1976, país para o qual emigrou em 1910. Trabalhando no comércio em São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba, Elias não deixou de desenvolver também sua paixão pela literatura e no Brasil começou a escrever com espontaneidade e de forma realista, que contribuiu com a “Nahda” árabe no Brasil,  podendo  ser considerado  um dos representantes  da literatura árabe no país.

Em 1921, Elias casou com Julia Gibran, parente do grande escritor Gibran Khalil Gibran,  formando uma familia da qual nasceram três filhos:  Khalid, Laila e Issam, cujos descendentes - uma parte deles – encontram-se em Curitiba. Em 1959, com o Líbano já independente, Elias faz uma grande viagem pelo Oriente Médio, onde é recebido por  homens de letras e autoridades. Na Síria, recebeu a comenda do governo.

Elias, em seus escritos, é um defensor da união dos árabes e por isto foi chamado de poeta do arabismo. Tinha uma visão futurística e em seus escritos falava do uso do petróleo como arma política. Entrou  em questões religiosas e sociais, falou da igualdade e da liberdade.

Sobre o fanatismo, Elias escreveu: “...o erro dos fanáticos é muito profundo. Profundo como o erro dos cegos” (jornal al Anba 11,05.1977, p. 6). Elias critica  o puritanismo, o materialismo e  o orgulho e escreve sobre o bem que pode ter uma ordem moral universal.

Assim, Elias Farhat deixou seu pensamento e contribuição em seus escritos, que fazem parte hoje da grande enciclopédia da literatura do “Mahjar” (Emigração). As poesias de  Elias Farhat até hoje são lidas  e estudadas nas escolas de países árabes. O Brasil assim contribuiu de forma espetacular com a “Nahda” árabe no Oriente Médio e hoje muitos escritores brasileiros, descendentes de árabes, escrevem dentro de um estilo oriental em língua portuguesa, mantendo viva a literatura árabe no Brasil.

Roberto Khatlab é diretor do Centro de Estudos e Culturas da América Latina, Universidade Saint-Esprit de Kaslik (CECAL-USEK), Libano
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