Gamal Abdel Nasser

Fonte: História Viva

Gamal Abdel Nasser, nascido em Alexandria em 1918, passou a juventude em sua cidade natal e fez seus estudos no Cairo, capital do Egito.

Em 1937, Nasser, marcado pelo nacionalismo, integrou a primeira turma da Academia Militar com a patente de subtenente.

Nomeado capitão em 1943, Nasser se tornou professor da Academia Militar, depois tenente-coronel. Em 1948, destacou-se pelo patriotismo lutando em Fallujah, na Palestina, contra o exército do então jovem Estado de Israel.

Visando destituir o rei Faruk, Nasser constituiu o Movimento dos Oficiais Livres que organizou um golpe de Estado e conseguiu destituí-lo na noite de 22 a 23 de julho de 1952. Em 18 de junho de 1953, nascia a República Árabe do Egito.

Após a queda do rei Faruk, a monarquia deu lugar a um governo nacionalista, liderado inicialmente pelo general Mohammed Naguib e pelo coronel Gamal Abdel Nasser. Este último não pretendia apenas a derrubada do governo impopular que estava no poder, mas também um programa de reformas sociais, como o da redistribuição de terras aos camponeses e a modernização econômica do país. 

Inicialmente, Naguib tornou-se primeiro-ministro, mas as divergências com Nasser acabaram levando ao seu afastamento do cargo em 1954 e depois à sua prisão. Nasser assumiu o comando do Estado, implantou a reforma agrária, construiu a famosa represa de Assuã no rio Nilo para ampliar as terras irrigadas e iniciou uma tentativa de união dos países árabes: o pan-arabismo. Sob sua liderança, o Egito foi um dos participantes da Conferência de Bandung (1955) que deu origem ao bloco dos não-alinhados nos tempos da Guerra Fria (conflito entre os Estados Unidos e a União Soviética).

Por outro lado, Israel via no pan-arabismo uma ameaça à sobrevivência do novo Estado judeu em função dos litígios deste com o povo palestino e a crescente influência de Nasser na região. Por sua vez, os palestinos, sob domínio israelense, viam no Egito um apoio à sua luta de libertação e de criação de um Estado nacional. 

No entanto, a Guerra dos Seis Dias em 1967 representou uma grande derrota de Nasser diante de Israel. Mais bem armado e equipado e com um território ainda maior, Israel ocupou nessa mesma guerra a península do Sinai, a faixa de Gaza, a Cisjordânia e as colinas de Golã da Síria.

Contudo, a grande realização de Nasser e que o tornou o grande líder do mundo árabe foi a nacionalização do Canal de Suez em 1956, que estava até então sob domínio militar inglês desde 1882. 

Nasser, enfrentando as velhas potências imperialistas, Inglaterra e França, que pressionadas pelas novas, Estados Unidos e União Soviética, tiveram que recuar diante das pretensões do líder egípcio.

Em 1º de outubro de 1970, no Cairo, morreu Gamal Abdel Nasser. Cinco milhões de egípcios driblaram as forças de ordem e se apossaram do caixão do presidente, prestando-lhe uma última homenagem. O povo chorava a morte de seu herói, o primeiro “egípcio autêntico” a tomar as rédeas do país desde o tempo dos faraós e que devolveu a dignidade ao povo do Egito. Este foi Gamal Abdel Nasser.


Saeb Osman
Gazeta de Beirute
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