Conheça as diferenças entre Islamismo e Sufismo


Uma pessoa interessada na religião muçulmana pode ter uma ideia errada sobre o Islamismo e muçulmanos, porque para muitas pessoas, Sufismo e sufis são apenas sinônimos de Islamismo e muçulmanos respectivamente.

Neste texto quero apresentar o Sufismo,apontar e explicar as diferenças existentes entre o Sufismo e o Islamismo, mostrar as diferentes interpretações presentes em cada religião.

Não quero, em hipótese alguma, expressar opinião sobre elas. Quero apenas apresentar detalhes que, muito provavelmente, alguns de nossos leitores não sabem. Por isso, aproveitem o texto.

Embora os sufis, praticantes do Sufismo,sejam somente uma pequena minoria, os sufis podem ser encontrados em muitos países, islâmicos e não-islâmicos.

Segundo os próprios sufis,o Sufismo está relacionado com uma forma islâmica de misticismo, que tende a abraçar,de diferentes maneiras,a busca da união entre Deus e o homem.

O objetivo tanto do Islam quanto do Sufismo é conduzir o praticante em direção à Verdade. Dentro do Islam, como religião revelada, tal objetivo é obtido através da prática dos preceitos religiosos, enquanto que no Sufismo, além destes preceitos, entrariam também em jogo uma série de fatores intuitivos e emocionais que, segundo a teoria do Sufismo, estariam dormentes na maioria dos seres humanos e que, sob uma supervisão correta, poderiam ser despertos e desenvolvidos.

Não existe consenso quanto a origem da palavra Sufismo, pois há quem diga que é derivada do termo árabe suf, que significa lã. Historicamente, os seguidores do Sufismo costumavam vestir apenas lã pura, pois era uma forma de representarem sua negação aos confortos do mundo. Outra teoria para a origem do nome deriva da referência a primeira pessoa que dedicou sua vida à adoração ao redor da Caaba, cujo nome era Sufah.De acordo com isso, aqueles que o imitavam passavam-se a se chamar sufis.

A autoridade suprema do Sufismo, sheikh, distribui as tarefas dentro da ordem e dá a cada um dos seguidores seu Zikr (técnica sufi que conduz o praticante a uma experiência de superação de si mesmo e de contato com o transcendente). É a esse indivíduo que o seguidor promete obediência plena.

Diferentemente do sufi, o muçulmano deve obedecer a Deus e Seu Mensageiro. Não se deve seguir cegamente líderes religiosos. Como humanos, devemos usar as faculdades que nos foi dada por Deus, para pensar e raciocinar. O Sufismo, por outro lado, coloca a pessoa a mercê do sheik, o mestre espiritual. Não se deve argumentar nem se opor à opinião do sheikh sufi, e deve demonstrar obediência e submissão totais a ele.

Os sufis, por conta do desenvolvimento do Sufismo dentro do corpo da religião Islâmica, podem insistir que são muçulmanos, mas ao mesmo tempo alguns insistem em se identificarem como sufis, não como muçulmanos.

Os sufis têm uma variedade de crenças em relação a Deus, Todo-Poderoso, e entre essas crenças estão as seguintes:

a) Al-Hulool: Essa crença denota que Deus, Todo-Poderoso, habita em Sua criação.

b) Al-It’tihaad: Essa crença denota que Deus, Todo-Poderoso, e a criação são uma presença única, unida.

c) Wahdatul-Wujood: Essa crença denota que não se deve diferenciar entre o Criador e a criação, porque ambos, Criador e criação, são uma entidade.
Mansur al-Hallaaj, uma figura muito reverenciada pelos sufis, disse: “Sou Aquele a Quem amo”, exclamou, “Aquele a Quem amo sou eu; somos duas almas que coabitam um corpo. Se você vir a mim, O verá e se O ver verá a mim.”

Muhiyddin Ibn Arabi, outra figura do Sufismo, disse: “O que está sob minha vestimenta não é nada, exceto Deus,” “O servo é o Senhor e o Senhor é um servo.”

Essas crenças acima contradizem fortemente a crença islâmica na unicidade de Deus, porque o Islam é um estrito monoteísmo.

Com relação a crença no Profeta de Deus, um muçulmano acredita que o Profeta Muhammad foi o profeta final e mensageiro de Deus. Não era divino e não é para ser adorado, mas é para ser obedecido. Não se pode adorar Deus exceto da forma que foi sancionada pelo Profeta Muhammad, que as bênçãos e misericórdia de Deus estejam sobre ele.

As ordens sufis adotam uma ampla variedade de crenças em relação ao Profeta Muhammad, que as bênçãos e misericórdia de Deus estejam sobre ele. 

Entre elas existem os que creem que ele ignorava o conhecimento que os anciões sufis possuem. Al-Bustami, um sheikh sufi, disse: “Entramos em um mar de conhecimento na margem em que os profetas e mensageiros pararam.”

No Sufismo, estudar as práticas implícitas e intuitivas do Alcorão ou ponderar sobre os significados de seus versículos é desencorajado e, às vezes, até proibido. Os sufis alegam que todo versículo do Alcorão tem um significado manifesto e um significado interior. O significado interior é conhecido somente pelos anciões sufis. Com base nisso os sufis introduziram conceitos e palavras que são totalmente estranhos aos ensinamentos do Islam.

A conclusão que se chega após tudo que foi mencionado acima, é que o Sufismo difere de forma muito drástica do espírito do Islam. O Sufismo inculca no seguidor a vontade de parar de usar as faculdades básicas dadas a ele por Deus, o Criador do mundo, e a se submeter totalmente ao sheikh sufi.

O Islam, por outro lado, é muito simples; não há necessidade de intermediários ou quaisquer santos entre o homem e Deus, e só se deve submeter e entregar a Deus, Todo-Poderoso.


Saeb Osman
Gazeta de Beirute
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2 comments:

  1. Tawhid!
    Perfeita a frase do autor: (O Profeta) não era divino e não é para ser adorado, mas é para ser obedecido.

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  2. Infelizmente não foi dada opinião no post porém foi induzido a uma conclusão. Tirei conclusões muito diferentes. Se devemos usar as faculdades que Deus nos deu , certamente devemos compreender e questionar tudo. Quando Obedecemos cegamente ,não nos permitimos usar nossa principal faculdade a inteligência.

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