Famílias sírias, sem fontes de renda, vendem suas filhas para sobreviver

Fonte: g1.globo.com

A Síria, em guerra civil desde março de 2011 e que já matou mais de 110 mil pessoas, tem sido sempre noticiada de forma negativa por conta dos conflitos internos e, mais uma vez, é palco de uma tragédia que não vemos em qualquer país.

O seu destaque decorre, infelizmente, de tragédias familiares que superam os limites dos campos de batalha.

Al Zaatari, nome do campo de refugiados localizado na Jordânia, abriga 150 mil sírios que fugiram da guerra em seu país, e tem sido o local onde crianças, com 13, 14, 15 ou 16 anos de idade, são vendidas pelas suas famílias para se casarem com pessoas muito mais velhas, senhores com, no mínimo, 55 anos de idade.

Muitas das meninas sírias que vieram ao campo de Al Zaatari em busca de proteção e que, muitas vezes, haviam sido estupradas por soldados do exército de Bashar Al Assad, estão convivendo com uma realidade que as forçam casar-se com senhores desconhecidos que, segundos elas, traria dinheiro e ajudaria suas famílias a sobreviver.

Os interessados são sempre homens ricos dos países do Golfo Pérsico que, por causa da Primavera Árabe, temem viajar para o Egito e a Síria, por isso optam por se divertir na Jordânia. Os hotéis de luxo em Amã, quase sempre lotados, são os endereços das meninas depois de casadas ou até o marido pedir o divórcio.

Quando os demais moradores do campo são questionados sobre os casamentos forçados entre as menores sírias e os senhores de países do Golfo Pérsico, alguns dizem que linchariam se descobrissem quem são os responsáveis. Outros falam que estas ocorrências têm ligações com o turismo sexual saudita.

As agenciadoras vivem em Amã, capital da Jordânia. Essas mulheres vão regularmente ao campo de Al Zaatari para convencer as famílias a deixarem suas filhas casarem, ou melhor, vendê-las.

Os pais recebem entre dois mil e cinco mil dólares por cada filha vendida. Fatores como beleza e virgindade ajudam a definir os preços. As intermediárias, que se negaram a revelar seus nomes, recebem uma comissão por cada casamento acertado.

Segundo moradores do campo, as formas de pagamento não se limitam a dinheiro e ouro. Alguns dizem que propostas que envolvem isenção do pagamento de aluguéis também seriam aceitos pelas famílias interessadas em negociar suas filhas.

Um exemplo do que ocorre é Ghazal, uma menina com dezesseis anos, que possui olhos maravilhosos, e que casou-se, pela segunda vez, com um homem de 65 anos de idade. Seu primeiro marido tinha 55 anos e era um dos homens mais ricos da Arábia Saudita que, para se casar com Ghazal, pagou três mil dólares a família.

Estes casamentos, na prática, não passam de maus tratos e abusos sexuais diários, segundo as próprias crianças e adolescentes.

Outro exemplo é Olá, 13 anos, que casou-se com um homem de 60 anos da cidade de Riad, capital da Arábia Saudita. Foi o seu primeiro casamento, e era visível o medo do tratamento que, muito provavelmente, ela receberia.

Os clientes podem conhecer as meninas por fotos ou, se pagarem uma taxa de 50 dólares, podem conhecê-las pessoalmente em lugares públicos.

As agenciadoras, também sírias, disseram que já intermediaram 62 casamentos. Disseram também que outras mulheres também exercem a mesma função que elas. O número de meninas vendidas em 18 meses já passa de mil.

"Não lhes importa a nacionalidade do noivo, a idade, o aspecto físico. Tudo o que lhes importa é se tem dinheiro ou não. Isso vale para as jovens e para as mais velhas", disse uma agenciadora.

Não se trata de negociações iniciadas sempre por senhores que procuram meninas novas para se casarem, pois, segundo ela, famílias sírias também a telefonam pedido noivos para suas filhas. A partir do momento em que a menina é escolhida, no mesmo dia, uma espécie de contrato é redigido e validará o casamento. Depois de assinado, o noivo já poderá levar a menina embora. A religião muçulmana reconhece o documento que é assinado, disse uma das agenciadoras.

O Imam do campo de refugiados de Al Zaatari, Abu-Haled, quando questionado se a religião muçulmana permite o casamento de meninas com 15 ou 16 anos de idade, ele respondeu: “A idade legal para o casamento varia de uma região para outra. Em geral, quando a menina menstrua, já pode se casar".   

Quando se divorciam, voltam para a família sofrendo com graves problemas médicos, estressadas e necessitando de tratamento psiquiátrico.  


Saeb Osman
Gazeta de Beirute
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2 comments:

  1. Religiao do capeta é essa?

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  2. desde quando "isso" pode ser chamado de religião? quem concorda são tão demoníacos quanto quem a prega. Mas Deus fará justiça. Deus de verdade e não esse pseudo deus que eles pregam que não é deus e sim o ser humano usando pregar suas próprias mazelas para praticar tudo que é de pervertido e sujo. Eu não tenho dó dos que compartilham essas abominações :(

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